Sports USA

Paulo Mancha, comentarista da ESPN

Fotos: Arquivo pessoal

O Sports USA estreia uma nova etapa, a partir de hoje, sempre que tivermos uma oportunidade vamos fazer entrevistas com personalidades diretamente ligadas aos esportes norte-americanos. E para uma estreia dessas ninguém melhor que Paulo Mancha D’Amaro, comentarista dos canais ESPN e uma das pessoas mais influentes do Brasil quando o assunto é futebol americano.

Jornalista, formado pela Universidade de São Paulo (USP) em 1991, Paulo além de ser comentarista é escritor e lançou em 2015, o livro “Touchdown! 100 histórias divertidas, curiosas e inusitadas do Futebol Americano”. Além disso, ele também faz palestras sobre o principal esporte dos Estados Unidos, e atua como jornalista de turismo. Em seu blog Viajando por esporte, Paulo juntou suas duas paixões.

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Nesta entrevista, Paulo Mancha fala sobre crescimento do interesse pela NFL no Brasil, além sobre o passado, presente e futuro do Futebol Americano no país.

Quando e porque começou a sua relação com a NFL?
Comecei a ver no começo dos anos 90, quando o Luciano do Valle introduziu o esporte na grade da TV Bandeirantes, mas não entendia e não gostava muito. Quando a ESPN passou a transmitir em meados dos anos 90, aí comecei a desvendar as regras e virei um fanático, no final da década.

Você acreditava que o futebol americano chegaria a proporção que já tem hoje?
Não de início. Mas já para 2009 ou 2010, percebi que isso ocorreria, porque o crescimento era exponencial.

A que se deve o crescimento dos esportes americanos em geral no Brasil?
Ao acesso que o brasileiro passou a ter com a maior difusão da TV por assinatura nos últimos 10 anos. Esses esportes são naturalmente atraentes, só faltava o brasileiro conhecê-los melhor.

Qual o limite para a paixão do brasileiro pela NFL e pelo Futebol americano de uma forma geral?
Ele nunca será tão popular quanto o futebol. Mas pode, sim, figurar no top 5 dos esportes favoritos dos brasileiros.

Como é ser um estudioso do futebol americano, no país do Futebol?
Hoje em dia tem tanta gente que gosta de futebol americano que não existe mais a “solidão” dos anos 90 e começo dos 2000. Em qualquer mesa de bar com mais de 10 pessoas, terá pelo menos um ou dois que gostam ou assistem de vez em quando e sabem conversar sobre o tema. Sem contar as redes sociais na internet.

Quais você considera que são as principais barreiras que o futebol americano ainda precisa derrubar aqui no Brasil?
Em termos de audiência na TV, poucas. O futebol americano cresce de forma avassaladora conforme a TV por assinatura se espalha pela classe média. Em termos de prática do esporte, falta patrocínio aos times e alguns ajustes fundamentais no marketing e na organização dos campeonatos.

E quais você considera que já ficaram para trás?
O preconceito do brasileiro, em geral, ainda existe, mas está sendo derrubado muito rapidamente. Antes, ele era a regra. Você falava de futebol americano numa roda de amigos e a grande maioria torcia o nariz e respondia com galhofa. Hoje, posso dizer que isso é quase uma exceção. O desdém automático foi substituído pela curiosidade. A maioria quer saber, perguntar, falar algo que viu na TV e assim por diante.

Você acredita que um dia o futebol americano será uma pratica profissional por aqui?
Essa é uma pergunta muito difícil. Não me arrisco a responder. O esporte evoluiu muito, muito mesmo. Mas, por outro lado, erros básicos continuam sendo cometidos. E ás vezes, uma bobagem dentro ou fora de campo pode por todo o trabalho de anos a perder.

Sobre as transmissões, você acredita que um dia vamos ter NFL na TV aberta?
Acho muito difícil transmitirem jogos ao vivo na TV aberta por conta da duração das partidas e do horário delas, que disputaria com atrações consagradas da TV. Mas existe, sim, mais espaço para a cobertura em geral.

Paulo Mancha ESPN

Tem alguém em quem você se inspira?
Não acredito em gurus, mas um cara de quem tirei muitos ensinamentos é o já falecido Howard Cosell, ex-comentarista do Monday Night Football nos anos 70 e 80. Cosell era uma figura muito especial na TV americana devido à sua vasta cultura geral e domínio de diversos esportes. Para ele, o esporte era mais do que “nomes de jogadas”, “estatísticas”, “placares”. Ele enfatizava o lado humano da coisa, inter-relacionava o que acontecia em campo com os fatos do mundo, as artes, a geopolítica, etc. Ficou famoso por fazer John Lennon, o cara mais pacifista dos anos 70, se tornar fã de futebol americano, o esporte mais brutal da época!

Sobre os playoffs desta temporada (2015/16) da NFL. Pra você quem é o favorito? E em quem você acha que vai conquistar o Super Bowl 50?
Queria ter o poder de acertar as minhas previsões. Assim iria a Las Vegas e ficaria rico (risos)! Na minha opinião, a possibilidade de um Super Bowl entre Cardinals e Patriots é grande. Com o título indo para o Arizona.

Qual time você torce na NFL? Porque e quando você escolheu este time para torcer?
New York Jets. Nos anos 90, eu já tinha simpatia pela equipe devido ao seriado Anos Incríveis, em que o protagonista Kevin Arnold estava sempre com uma jaqueta dos Jets. No ano em que decidi escolher um time, 1998, os Jets estavam bem e tinham grandes jogadores como Vinny Testaverde, Keyshawn Johnson, Curtis Martin, Wayne Chrebet. Chegaram até a final de conferência, quando foram batidos pelos Broncos de John Elway – time que levaria o Super Bowl naquela temporada.

Em todos estes anos qual o jogo que mais te marcou na NFL?
Sinceramente, não sei responder! Talvez o primeiro Super Bowl que comentei, em janeiro de 2007. Ou este último, que comentei para as plateias da ESPN nas salas de cinema de todo o Brasil. Foi divertidíssimo!

Qual o Super Bowl você considera que foi o melhor que já assistiu?
Provavelmente o 49 (New England Patriots 28 x 24 Seattle Seahawks). Mas teve também o 34 (St. Louis Rams 23 x 16 Tennessee Titans), o 42 (New York Giants 17 x 14 New England Patriots) e o 43 (Pittsburgh Steelers 27 x 23 Arizona Cardinals), que foram incríveis.

Complete a frase: A NFL pra você é _________?
A melhor liga esportiva do mundo.

Além do trabalho como comentarista, você tem projetos independentes, quais são eles e como você arruma tempo para fazer tanta coisa?
Eu sou jornalista de turismo há 12 anos e dirijo uma pequena empresa de produção de conteúdo e assessoria de imprensa. Procuro concentrar os projetos dessas áreas entre fevereiro e setembro, deixando os meses mais agitados do futebol americano reservados para a ESPN.

Paulo Mancha durante uma de suas palestras sobre a história e a evolução do futebol americano

Paulo Mancha durante uma de suas palestras sobre a história e a evolução do futebol americano

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