Sports USA

O que você não pode perder na World Series mais épica da história

MLB/Site oficial

Não poderia existir melhor desfecho para uma temporada da MLB do que uma World Series entre Cubs e Indians, duas das franquias mais tradicionais da história do jogo e dois dos times mais amaldiçoados do beisebol. A conspiração tramada nos montinhos do tempo dará a uma destas equipes o alívio, enquanto a outra amargará mais uma vez o quase cruel.

Tecnicamente, ficar no quase para Indians e Cubs é algo normal. Mas quando a ambição bate à porta e o verbo conquistar parece, enfim, estar próximo de ser acrescido ao vocabulário de cada fiel torcedor não tem jeito. A ansiedade toma conta mesmo. É o que veremos a partir desta terça-feira (25), às 22h (de Brasília), com transmissão da ESPN. A hora da verdade para dois dos times mais queridos do beisebol chegou.

Está acontecendo!
Antes do início da temporada da MLB, conversamos com o brazuca Paulo Orlando sobre os favoritos a World Series após a grande conquista dos Royals. Dentre as apostas dele e também das minhas estava o Chicago Cubs, o time com uma das maiores maldições da história das grandes ligas norte-americanas.

Na última temporada, a equipe virou notícia por conta da profecia do filme “De volta para o futuro”, que cravava o fim da seca histórica para o ano de 2015, mas isto não aconteceu. Chicago pulou fora na NLCS sendo varrido pelo New York Mets. Seria um motivo para desanimar. Mas os Cubs tinham um time jovem e que, de fato, tinham tudo para vingar na temporada seguinte. Foi o que aconteceu.

Após 71 anos sem frequentar a World Series, os donos do mítico Wrigley Field bateram os Dodgers por 5 a 0 no jogo 6 da NLCS e agora vão lutar para encerram um jejum que perdura há exatos 108 anos, a maior seca entre os times da MLB.

its

Uma história que começa lá em 1908 com os Cubs vencendo o Detroit Tigers por 4 a 1 na série final e conquistando seu segundo e último título nacional. De lá para cá, foram sete aparições na World Series, a última em 1945, todas com derrotas e uma maldição poderosa proferida pelo grego Billy Sianis. Os Cubs receberiam o Detroit Tigers para o quarto jogo da World Series, em 6 de outubro de 1945, após vencerem dois dos três jogos fora de casa. Momentos antes da partida, Sianis chegou à entrada do Wrigley Field com dois ingressos, um para ele e outro para seu mascote, um bode chamado Murphy.

Um dos funcionários do estádio impediu a entrada do animal e, sob os protestos de Billy, até o dono do clube, Philip K. Wrigley, foi chamado. O presidente, então, teria dito que Billy não poderia entrar “porque seu bode fedia”. Dito isso, o grego teria então proferido a famosa maldição: “O Chicago Cubs nunca mais vai ganhar uma World Series enquanto não deixar um bode entrar Wrigley Field”.

O eco desta história acompanha o time desde então. Uma longa lista de insucessos que poderia fazer a fé da torcida minguar como, por exemplo em 2003, quando Steve Bartman, um mero fã de Chicago, interrompeu Moisés Allou de eliminar Louis Castillo, dos Marlins, no jogo 5 da série decisiva da NCLS. O torcedor queria apenas um souvenir, mas acabou como o homem mais odiado da cidade de Chicago. Tudo porque os Cubs, que venciam a série por 3 a 1, levaram a virada para os Marlins e ficaram fora da World Series. Poucos dias depois, a franquia da Flórida conquistou seu primeiro título ao bater o Yankees na decisão.

É difícil imaginar o que é torcer para um time como os Cubs. Até porque a MLB é um dos mais disputados campeonatos do planeta. A dificuldade de se vencer a liga é propícia para a criação de jejuns que maltratam, como o caso dos Red Sox, que só voltaram ao topo do beisebol em 2004, quebrando a maldição de Babe Ruth após 86 anos de fila.

Leia mais
De Volta Para o Futuro: O dia mais importante da história dos Cubs
O Chicago Cubs e a profecia “De Volta Para o Futuro”

Hoje, o torcedor dos Cubs se sentem vitoriosos após triunfar na primeira batalha contra seus medos. Aquela sensação de desconfiança que sempre pairou sobre o Wrigley Field agora dá lugar à esperança de dias melhores sob as bênçãos de quem outrora envergou o pavilhão de Chicago e jamais conseguiu dar um final feliz a esta história.

Do outro lado, os Indians
Mas os Cubs não terão vida fácil. Do outro lado estará o Cleveland Indians, outra equipe assombrada por fantasmas do passado. Dona da maior seca da American League, a franquia de Ohio não vence a World Series desde 1948, durante a administração Truman. No embalo dos Cavaliers, que retomaram a sequência de conquistas da amaldiçoada cidade – que ostentava um jejum de 52 anos, o maior entre as cidades norte-americanas -, os Indians querem, enfim, dar por encerrada a tragicômica série de infortúnios, a última delas em 1997, quando o time foi derrotado pelo Florida Marlins em 2011 no jogo 7 da World Series em um confronto com nada menos que 11 entradas.

Curiosamente, a série decisiva começa nesta terça-feira, justamente no dia em que o Cleveland Cavaliers, a franquia vitoriosa da cidade, dará o pontapé na nova temporada da NBA e receberá, na Quicken Loans Arena, ginásio a poucos metros da casa dos Indians, os anéis de campeão da NBA. Não poderia ter inspiração melhor para unir a cidade em prol de um único ideal.

Jogadores para ficar de olho
Na vitória sobre o Los Angeles Dodgers que definiu a passagem do Cubs para a World Series após 71 anos, o arremessador Kyle Hendricks teve uma atuação impecável frente a um Wrigley Field em êxtase. Foram 7.1 entradas, seis strikeouts e um ERA de 0.71. Na oitava entrada, ele deixou o montinho e foi ovacionado pela torcida, prova irrefutável de um daqueles jogos que um fanático por beisebol, como este que vos escreve, jamais esquecerá. O jogador é, sem dúvidas, um dos principais nomes da franquia de Chicago e deverá ser um dos caras desta World Series.

Pelo lado dos Indians, que dominaram a série decisiva da Liga Americana contra o Blue Jays, o destaque vai de forma irrefutável para Andrew Miller, arremessador que na disputa contra a franquia de Toronto foi praticamente perfeito, com apenas três rebatidas cedidas e 14 strikeouts em sete entradas arremessadas e dois terços.

Curiosidades
Num eventual jogo 7 entre Cubs e Indians, as entradas mais baratas estão sendo vendidas por US$ 1.755,  ou cerca de R$ 5,5 mil, a mais cara da história de uma decisão da MLB. Vale tudo para ver um destes times sair da fila.

Para se ter ideia de quanto tempo os Cubs não disputavam a World Series, na última vez que o time chegou à final da MLB, em 1954, não existia:

  • NBA
  • Super Bowl
  • LA Dodgers
  • Tv a cores
  • Micro-ondas
  • Código de barras
  • Bambolês
  • Alasca e Havaí não eram estados norte-americanos
  • Marcapasso
  • Viagens aéreas internacionais
  • Super cola
  • Barbie

Deixe sua resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com