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Brett Favre terá sua camisa aposentada pelos Packers

Um filme com narrativa clássica é dividido em quatro partes. Primeiro vem o início/apresentação do personagem principal, depois sua consolidação, seguido por um problema/queda e, por fim , o desfecho, normalmente com final feliz. A história de Brett Favre com o Green Bay Packers pode ser comparada a um filme desse estilo. Por que? O SportsUSA conta para você.

1- O início/apresentação do personagem

A imagem de Brett Favre é intrinsicamente ligada à camisa 4 verde do Green Bay Packers. O que muitos não sabem, no entanto, é que ele não foi draftado pela equipe pela qual fez história na NFL, mas pelo Atlanta Falcons na 33ª escolha do draft de 1991.

Entretanto, por alguma razão, o treinador dos Falcons à época não foi muito com a cara do jovem QB e não titubeou quando Ron Wolf, General Manager recém contratado dos Green Bay Packers, ofereceu um escolha de primeira rodada por Favre no ano seguinte em que ele foi draftado – uma troca muito questionada à época pela imprensa de Wisconsin.

Suas estatísticas nas duas primeiras temporadas foram apenas razoáveis, tendo Favre lançado para o mesmo número de touchdowns e interceptações (37), mas conseguindo uma classificação para os playoffs em 1993, quando os Packers foram derrotados pelo todo poderoso Dallas Cowboys.

Entretanto, para uma equipe que teve um record de 4v e 12d antes de sua chegada, Favre representou uma injeção de ânimo e esperança em uma franquia que se acostumou a ser medíocre depois da saída de Vince Lombardi. Agressivo, sem medo de lançar a bola e mais preocupado em ganhar do que em não perder, Favre conquistou a torcida local.

2- Consolidação

O ano de 1994 foi o ano no qual Favre finalmente mostrou a que veio. Com números impressionantes na temporada regular (3.882yd, 33TD’s e 14INT), liderou os Packers novamente para os playoffs, onde mais uma vez foram derrotados por Dallas.

Em 1995, Favre melhorou os números já impressionantes do ano anterior e novamente levou Green Bay aos playoffs. Suas 4.413yd, 38TD’s e 13INT lhe renderam o primeiro de três prêmios seguidos de MVP’s – melhor jogador da temporada, ganhando também em 1996 e 1997, mas não foram suficientes para evitar nova derrota para os Dallas Cowboys de Emmith Smith, Troy Aikman e companhia.

Ao invés de se abater, Favre liderou sua equipe em mais uma ótima campanha em 1996, com os Packers ganhando 13 dos 16 jogos da temporada regular e avançando a sua equipe até chegar ao Super Bowl, onde os Packers venceram o New England Patriots por 35×21, dando a Favre o único anel da sua carreira.

Das 16 temporadas em que vestiu a camisa do Green Bay Packers, Favre sempre manteve a equipe de Wisconsin como uma possível candidata ao título e, mais do que isso, um espetáculo a parte de se assistir. Em apenas uma delas a equipe terminou com record negativo (4-12, em 2005, ano em que lançou 20TD’s e 29INT’s), mesmo ano em que viu seu sucessor, Aaron Rodgers, ser draftado.

3- Problema/queda

Brett Favre sempre soube que era diferenciado e um dos melhores jogadores de todos os tempos, e isso, inevitavelmente, contribuiu para que desenvolvesse um ego relativamente grande. Por mais que não tenha sido uma diva como outros jogadores (Terrell Owens, Randy Moss, por exemplo), Favre sabia do seu valor e usava isso a seu favor.

Após a temporada de 2005, Favre manifestou sua intenção de se aposentar, tendo demorado a informar aos Packers se voltaria ou não a jogar. O mesmo se repetiu no ano seguinte. Até que, antes da temporada de 2008, Favre fez tudo de novo, tendo inclusive feito uma coletiva de imprensa anunciando sua aposentadoria e depois voltando atrás. Tudo isso enquanto criticava, sempre que aparecia a oportunidade, o fato dos Packers terem usado uma escolha de 1º round em Aaron Rodgers.

Entretanto, vendo a qualidade demonstrada por Rodgers, os treinadores de Green Bay disseram que ele teria que competir por sua titularidade – isso depois de ter levado sua equipe a um record de 13v e 3d e até a final de conferência no ano anterior. Em resposta, Favre exigiu que fosse dispensado pelos Packers, algo que a equipe se negou a fazer.

Favre foi então trocado por uma escolha de 4º round com o New York Jets. Depois de começar muito bem o ano e liderar os Jets a um record de 8-3, uma lesão no bíceps fez com que a qualidade do seu jogo piorasse muito e os Jets perdessem 4 dois últimos 5 jogos.

Após a temporada, Favre anunciou (novamente) sua aposentadoria e, meses depois, fez o impensável ao assinar com o Minnesota Vikings, um dos rivais de divisão do Green Bay Packers.

Na primeira temporada vestindo roxo, Favre foi impecável, vencendo ambas as partidas contra Green Bay e liderando a equipe até a final de conferência, onde foi derrotado por Drew Brees e seu New Orleans Saints. Entretanto, no ano seguinte, a idade finalmente pesou e seu jogo piorou muito, culminando em sua aposentadoria definitiva após a temporada.

4- Desfecho com final feliz

Por mais que sua história enquanto jogador dos Packers não tenha terminado bem, seus feitos são inegáveis. Favre é o QB com o maior número de vitórias na história da NFL (186, juntamente com Peyton Manning), maior número de jogos consecutivos como titular (297) maior número de temporadas passando para mais de 3.000 jardas, 2º maior número de touchdowns (508) e em jardas passadas (71.838), dentre outros números impressionantes.

Além disso, foi o principal responsável, como dito acima, por resgatar os Packers da mediocridade e colocar Green Bay de volta a uma posição de relevância na liga.

Por tudo isso, é muito provável que seja nomeado já nesse ano para o Hall of Fame da NFL, de forma a coroar a carreira brilhante que teve e pelo que representou para o jogo como um todo.

Antes disso, no entanto, voltará à cidade e à equipe que tornaram isso tudo possível, ao acreditarem em um QB em descrédito com seu primeiro treinador, para ser homenageado. Hoje, dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, Favre terá a sua camisa “4” aposentada em definitivo pelos Green Bay Packers, homenageando tudo o que trouxe para a franquia da qual foi, indiscutivelmente, o melhor jogador a vestir a sua camisa.

Por isso, nobre leitor, não perca o jogo de hoje entre Green Bay Packers e Chicago Bears, pois você terá a oportunidade de ver história ser feita.

 

 

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